Tiago Gil: O primeiro português a jogar futebol americano nos EUA

Tirsense com orgulho, foi o primeiro português a ser convidado para jogar futebol americano no continente que empresta o nome à modalidade. Em entrevista à Santo Tirso TV, falou do seu percurso, das ambições e dos sonhos que ainda estão por concretizar.

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19 JUL '21
Tempo de leitura: 5 min

Nascido e criado em Santo Tirso, Tiago Gil, de 25 anos de idade, iniciou a sua carreira desportiva no andebol, enquanto estudava na Escola Secundária de Tomaz Pelayo. A paixão pelo futebol americano surge mais tarde, já nos últimos anos da Licenciatura. Tiago recorda-se de começar a assistir a NFL (liga de futebol americano nos EUA) por influência de um dos seus melhores amigos e colega de casa na Faculdade, Pedro Veloso. “Ele já tinha praticado a modalidade em Portugal e acabou por me convencer a experimentar um treino. Isto tudo aconteceu entre 2017/2018. Desde então, sempre assisti e acompanhei a NFL, com regularidade, e acabei até por me tornar um fã dos Miami Dolphins” – explica.

 

Na época de 2018/19 jogou no Porto Mutts, de Vila Nova de Gaia, tendo abandonado o clube para ingressar no Mestrado em Gestão Desportiva na Universidade de São Francisco, na Califórnia, uma vez que, segundo o próprio, sempre teve “um interesse enorme em várias modalidades e ligas americanas, desde a NBA, NFL e MLB. Então ter a oportunidade de estudar estes desportos numa cidade fantástica como San Francisco tornou-se numa decisão muito fácil para mim, especialmente depois de receber ajuda para o processo de inscrição, por parte do diretor Brent R. von Forstmeyer”.

 

 

 

 

O jovem não tinha, portanto, a modalidade nas suas prioridades. “Quando saí de Portugal a minha prioridade não era, de todo, o Futebol Americano, tanto que ingressei numa Universidade sem uma equipa de Football. Durante a minha última época com os Mutts, em 2019, lesionei-me gravemente no joelho esquerdo, o que me obrigou a parar. Na altura, nem sequer sabia se ia conseguir voltar a jogar. E como comecei a jogar tão tarde na minha vida, nunca sequer pensei que poderia conseguir algum sucesso na modalidade aqui [na América]” – destaca.

 

Porém, em 2020, soube que a equipa Alameda County Knights estava a fazer captações abertas e decidiu voltar a dar uma oportunidade ao futebol americano. Desde então, nunca mais parou: “Na época passada joguei pelos Alameda County Knights, uma equipa semiprofissional de Oakland, e felizmente fui acolhido por um dos melhores treinadores com quem me poderia ter cruzado, Mitch Lockett. Foi ele quem me apresentou outros treinadores e me motivou a viajar pelo país para fazer provas profissionais (tal como o Combine que fiz em Houston, Texas, para a The Spring League, onde tive oportunidade de jogar com alguns ex-atletas da NFL e de D1 College) e, ao mesmo tempo, entrar em contacto com outras Universidades onde poderia jogar futuramente. A Universidade que se mostrou mais interessada foi a Laney College, em Oakland. Tive a oportunidade de fazer umas provas físicas com eles e acabei por receber o convite para começar a jogar na equipa assim que terminar os meus estudos, em dezembro deste ano”.

 

Apesar da exigência e da forte competitividade a que está sujeito diariamente, o jovem está motivado e focado, até porque nunca esquece a sua terra natal e quer mostrar que é possível realizar “o sonho americano”: “Se há coisa que não esqueço são as minhas raízes, o que serve de motivação extra para mim, especialmente porque sei que há imensa gente com o sonho de praticar esta modalidade nos EUA. Acima de tudo, posso mostrar a todas essas pessoas que o sonho é bem possível, só exige esforço e sacrifício. Sempre que entro em campo faço questão de relembrar a minha família e amigos mais próximos, quem sempre acreditou que eu seria capaz de chegar aqui”.

 

Quanto ao futuro, Tiago questiona-se todos os dias sobre ele e afirma não saber o que lhe reserva, embora continuar nos EUA esteja em cima da mesa, sobretudo agora que lhe foi dada a oportunidade de jogar Futebol Americano pela Laney. No entando, não descarta a opção de vir a trabalhar na área desportiva aqui [EUA] ou na Europa. "Pretendo explorar as oportunidades de emprego que possam aparecer. Para mim, o mais importante é ter várias opções na mesa, neste momento. O meu foco está no presente, em manter uma boa forma física, enquanto treino com equipas semiprofissionais ou com treinadores à parte, focar nos meus estudos para acabar com uma boa média e continuar a trabalhar pela Universidade de Stanford como gestor de eventos desportivos, o que me tem dado imensa experiência nesta área de trabalho” – conta-nos o atleta.

 

A carreira do tirsense vai de vento em popa. A mala, ao que tudo indica, continuará por fazer. As saudades, essas, têm morada fixa, “mas o importante é manter a cabeça fria, levar um dia de cada vez, sem perder o foco, e manter o positivismo” – remata Gil.

 

 

 

 

 

 

 

Texto: Márcia Gomes

tags: Desporto , EUA , Futebol Americano , Tirsense

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